16.2.17

A pior fotografia do mundo...


Todos os anos existem vários prémios de melhor fotografia do mundo, que geralmente aliam a arte à beleza, entre outros parâmetros, intrínsecos a cada concurso. Um dos concursos mais conhecidos é o “World Press Photo” que este ano escolheu como a “melhor fotografia do ano”, a que captou o grito de Mevlüt Mert Altintas, o homem que disparou contra o embaixador russo na Turquia.

Ao ler a notícia e sendo um apaixonado pela fotografia e pela Natureza, senti-me desconfortável, algo não estava bem.
Remexi-me na cadeira, fiquei inquieto, voltei a ler.
Lá estava o louco, de arma em punho, um corpo morto no chão, e o título de “melhor fotografia do ano”.
Não, algo não está bem, era suposto sentir admiração pela arte de fotografar, pelo objecto fotografado, pela qualidade e não foi isso que aconteceu.
Senti incómodo… senti-me incomodado…!!!
Quando o mundo inteiro rebenta pelas costuras com tanta violência, quando tantos jornalistas morrem em situações de combate ou de violência, são os próprios jornalistas que escolhem com a “melhor do mundo” aquilo que mais jornalistas mata: a violência!
Algo não está bem…
Pode-se argumentar com o que se quiser, com a calma, o sangue-frio do fotógrafo, o risco, seja lá o que for, nada justifica que uma foto que incita à violência seja escolhida como a “melhor” do mundo.

Como mudar o mundo se as músicas tiverem letras agressivas, chulas e / ou violentas?
Como mudar o mundo se a 7ª arte tiver o seu êxito baseado na violência?
Como mudar o mundo quando a TV tem níveis de audiência enormes graças ao escândalo, ao sensacionalismo?
Como mudar o mundo quando os jornais, sem qualidade ortográfica nem de conteúdo, esforçam-se por vender crimes hediondos?
Como mudar o mundo quando pensamos que a melhor notícia é a que fere mais a sensibilidade humana, pela negativa?
Como mudar o mundo quando os líderes políticos esforçam-se por se denegrirem mutuamente, o mais possível, em busca de votos?
Como mudar o mundo quando a foto de um assassinato é a “melhor” do mundo?
Como mudar o mundo se não mudamos nós mesmos?

A Doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo), que não é mais uma seita ou religião, mas sim uma filosofia de vida, vem mostrar-nos quem somos, de onde viemos e para onde vamos, ao longo dos milénios, provando a imortalidade do Espírito, a reencarnação, e a Lei de Causa e Efeito.

Não há um caminho para a paz, a Paz é o caminho!
(Mohandas Gandhi)

Nesse sentido, o Espiritismo é o maior preservativo contra o suicídio, o aborto, a eutanásia e toda a forma de violência, seja de que tipo for.
Aprendemos com a doutrina dos Espíritos, que somos o produto do que fomos ontem (ao longo dos milénios, nas sucessivas reencarnações) e que seremos na próxima existência física, o que somarmos nesta vida carnal.
Como nos damos ao luxo de exigir paz se promovemos a guerra, o ódio, a violência, mesmo que sob a capa da “arte”?
Jesus de Nazaré, o Espírito que serve de modelo e guia para a Humanidade, na opinião dos Espíritos superiores, deixou ensinamentos simples, mas eficazes, sendo um deles que, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Por muito mérito que o referido fotojornalista tenha, deixem-me que considere a sua fotografia a “pior” do ano, sem sombra de dúvida…
E nós, que fazemos diariamente pela paz, ao nível do pensamento, dos sentimentos, das atitudes?
Se queremos um mundo melhor, temos de ser melhores, ter melhores gostos, ter melhores atitudes, fazermos pedagogia pela paz em tudo o que falamos, obramos, escrevemos, no nosso quotidiano.
Parafraseando Mohandas Gandhi, não existe um caminho para a paz…
A Paz… é o caminho! 

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