28.11.14

Violência e Paz...


O mundo está perigoso, diz-se à boca cheia. Cada vez há mais violência, não só entre povos como também entre grupos de interesses e familiares. Haverá solução para este drama social que nos consome?

1 - Um estudo revela que, de 162 países, apenas 11 não estão em guerra no mundo hoje. Não em guerra aberta declarada, mas envoltos nas guerras regionais e locais, de um modo ou de outro.

2 - Este ano, em Portugal (país pacífico), já foram mortas 27 mulheres (até 28 de Novembro de 2014), vítimas de violência doméstica.

3 - Curiosamente não se consegue encontrar um número definido de organizações que estão empenhadas na paz no mundo. Impossível conseguir contabilizar os actos de paz levados a cabo, diariamente, no mundo inteiro.

Figuremos dois pescadores, na pesca à linha, numa praia. Um diz que o mar é perigoso pois tem peixes-aranha, tubarões, tsunamis, as pessoas morrem afogadas, há naufrágios. O outro, refuta os argumentos, dizendo por sua vez que, o mar serve para pescar, fazer caça submarina, surf, bodyboard, andar de barco, nadar, etc.
Qual dos dois tem razão, sendo o mar, neutro?
Obviamente, tudo se desdobra no campo do mero ponto de vista, na maneira como analisamos as situações.
Os órgãos de comunicação social de hoje, têm sede de escândalos, de “sangue” de notícias que firam a sensibilidade, pensando assim estarem a prestar um bom serviço à comunidade. Esta, por sua vez, intoxica-se mentalmente com o mal alheio, como se isso alimentasse a sua sede inconsciente de sobrevivência.
Jesus de Nazaré aconselhava sabiamente, “amai o próximo como a vós mesmos”, numa notável lei de sabedoria para uma convivência pacífica e evolutiva na sociedade.
O problema é que não amamos o próximo (isto é, não fazemos ao próximo o que desejaríamos para nós) porque, também não nos amamos (não temos sentimentos, pensamentos e atitudes que nos façam bem).
Escolhemos o melhor peixe, a melhor carne para que o corpo físico não adoeça (corpo que irá morrer) e, intoxicamo-nos com todo o lixo mental que encontramos (sendo o Espírito imortal).
São os paradoxos do ser humano, numa sociedade que perdeu o Norte de Deus e, que tem de reaprender a amar-se e a amar, para poder ser feliz.

A violência e a paz são estados de alma, que cada um pode
escolher amplificar e esparzir pelo mundo fora

A violência e a paz, mais do que actos exteriores, são estados de alma, que cada um carrega de acordo com as suas escolhas íntimas.
Há que alimentar as atitudes pacíficas e, transmutar as tendências violentas. Para isso, urge educarmo-nos, aprendermos e ensinarmos as nossas crianças, em busca de um devir melhor.
Fora da caridade não há salvação” é um lema da doutrina espírita que, projecta para hoje essa paz que, todos buscamos e, que tão pouco fazemos para que se torne realidade.
Fica o convite: a partir de hoje, treinarmos, diariamente, a nossa mente em busca da paz, questionado que sentimentos temos tido, que pensamentos alimentámos, que tipo de conversas tivemos, que filmes e programas televisivos vimos, que género de livros lemos, que fizemos pela paz em nós, na família, na comunidade e no mundo…

2 comentários:

Anónimo disse...

Caro Irmão
Felicito-o pelo texto, estou totalmente de acordo. Por vezes penso que o meu irmão fica um pouco fora desta ideia, quando se envolve em questões de caráter politico e expressa a sua revolta em assuntos relacionados com a sua actividade profissional, (viu uma vez na televisão num movimento de contestação) vai-me dizer que devemos manifestar a nossa opinião em situações de injustiça, mas meu caro; o Mundo que está aí é este, cabe-nos perceber que o sítio é de expiação e dor e devemos semear sempre a PAZ e a LUZ de Deus nosso Pai. Perdoe-me este pequeno desabafo e creia-me com estima e consideração. Rui Brochado (Fraternidade e Luz)

José Lucas disse...

Caro Rui,
Obrigado pela gentileza das suas considerações.
O espírita é cidadão como os demais e deve exercer os seus direitos e deveres cívicos como os demais cidadãos. Estamos na Terra para auxiliar a melhorar a vida na mesma.
Qualquer cidadão, seja espírita ou não tem o direito e o dever de pugnar pela justiça, pelo que pensa ser correcto, utilizando os meios legais que as leis dos homens proporcionam.
O busílis da questão não está aí nas pessoas fazerem greves, manifestações, escreverem etc, mas sim na maneira como o fazem e com que intenção fazem. O espírita tem o direito e dever de pugnar por uma cidadania mais justa, mas tem o dever de o fazer sem violência física, mental ou emocional. Equilíbrio, serenidade e sentimentos nobres (sem aversões desnecessárias).

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