12.3.14

No meu funeral...

No meu funeral
Estava bem vestido
Fato completo
O caixão colorido

Como estava bem
C’a minha consciência
Fui convidado a ir
à última residência

Amigos espirituais
Me acompanharam
Nos últimos momentos
Onde me aclamaram

Sorridente e feliz
Por largar a carcaça
Estranhava a tristeza
De toda a minha raça

Do sincero ao fingido,
De tudo encontrei
Os que choravam sem chorar
E os que cumpriam a “lei”

Flores e mais flores,
Choros e abraços
Faziam parte do folclore
Com muitos “palhaços”

Sinceros, contei poucos,
A esposa e mais cinco,
Os outros não viam a hora
De ver o caixão c’o trinco

Tanta opulência
E muita vaidade
Só porque era conhecido
Na falsa sociedade

O padre, com ar triste,
Cumpria o seu ritual
Simulando tristeza
Só queria o pilim final

Só aí compreendi
Como somos vulneráveis
Não conseguimos esconder
Os desejos condenáveis

Tranquilo e feliz
Por ter mudado de plano
Via aquela gente-actriz
Em doloroso engano

Aprendi depois de morrer
Que não sabemos ajudar
Aquele que morreu,
E que vai a enterrar

Espiritualistas, vários,
Portamo-nos como irracionais
Fazendo da cerimónia
Uma festa entre os demais

Da anedota chula,
Ao “corte na casaca”
Tudo eu ouvia
Naquela grande ressaca

Amigos, poucos,
Por mim oravam,
Outros, na memória,
O bem, imploravam.

No fim, dei um beijo
À esposa e familiares,
E logo parti
C’os meus auxiliares.

Se queres bom funeral,
Que seja pequeno e discreto
Leva vida correta,
Pois a vida é livro aberto 

Enquanto estiveres aí
E fores aos funerais
Fá-lo com sentimento
Não sejas com’os demais

Poeta alegre 
Psicografia recebida por JC, Óbidos, Portugal, em 2014-02-10

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