18.7.13

Gato por lebre...

Passei por bela Rosa
Cujo perfume m’inebriou
Parei os meus passos
Aquele cheiro m’estancou

Atrás dela fui
Como que hipnotizado
Ou pelo perfume da Rosa
Ou pelo corpo torneado

Como não tinha pressa
Fui observando a donzela
Com cabelos loiros
Porte altivo e, muito bela

Pensava comigo próprio,
Com ela, seria feliz.
Ter uma mulher assim,
Não era de torcer o nariz!

Seguia-a discretamente,
Totalmente obcecado.
Vi, que ela, de repente,
Entrou na porta ao lado

Apressei o passo,
Qual jovem imberbe,
Que perdera o seu “tesouro”
E voltara ao “casebre”

Parei na porta,
Onde ela entrara.
Questionei o porteiro,
Pela que m’ofuscara

O senhor, já experiente,
Com um sorriso matreiro,
Olhou para mim,
E disparou certeiro:

“Olhe, amigo,
Aquilo não é p’ró seu dente,
É prostituta fina,
Não é para qualquer gente”

Fiquei então a saber,
Que ali havia um bordel,
Que funcionava à socapa,
Só lá ia gente com “papel”

Voltei à realidade,
Parei na taberna.
“Bom dia, ti Claudino
Como vai a sua perna?”

“Melhor, Sr. João,
Mil vezes obrigado.
Mas que faz o senhor,
Por cá, por este lado?”

“Deite lá o bagaço,
Que quero esquecer.
Tive um “tesouro” na mão
Que acabei de perder”

Contei-lhe o caso,
Um pouco em surdina
E ele também não sabia
Que ela era “mulher fina”

“Tinha-a como mulher fidalga,
Tamanha era a visitação,
Mas o que a fidalguia queria,
Não posso dizer aqui, não”

“Oh homem de Deus,
Vossemecê não é feliz,
Com a D. Elsa
E mais o seu petiz?

Emudeci de repente,
Pensando na minha mulher.
Como perdera a cabeça,
Com uma qualquer?

E lembrando minha mãe,
A consciência dizia:
“Uma mulher vale por dentro
E não pelo que parecia”

“É assim, Sr. João,
Nem tudo que luz é oiro,
Por vezes sai na rifa,
Um autêntico estoiro”

Contente-se com o que tem,
Sem cobiçar mulher alheia.
Pois nem sempre a bonita é bela,
Sendo a bela por vezes feia.

“Você hoje está inspirado,
Pague-se lá a bagaceira”.
“Ná, Sr. João, hoje, ofereço eu,
P’ra lhe atenuar a “cegueira””

E, João, regressou ao lar,
Meditando na conversa,
Para que queria ele,
Outra que não a sua Elsa?

Não era tão vistosa,
Mas não era prostituta,
Era mulher d’um homem só,
Mulher de muita labuta

Com tanta aparência,
Muitos enganos existem,
Os que parecem gente séria,
São por vezes gente triste.

Todos acabam no caixão,
Todos acabam deitados.
Sejam eles o patrão,
Ou sejam simples criado.

Portanto, perde as peneiras,
Estuda o Evangelho,
Que te dá roteiro seguro,
Até que sejas “velho”

Quem porfia no bem,
Quem porfia na justiça,
Nada tem nada a temer,
Quando lhe “rezarem missa”.

Poeta alegre 
Psicografia recebida por JC no ENL, Óbidos, Portugal, em 1 de Julho de 2013

3 comentários:

Anónimo disse...

É bem verdade. Muita gente leva gato por lebre. Não se deve dar valor às aparências...

Sérgio

Modesto Costa disse...

Pois o pior é que estamos ás vezes desarmados e preguiçosos e rezam-nos por cima as missas ás avessas... orar e vigiar os pensamentos disfuncionais, e naturalmente reflectir e agir sempre é remédio santo para chutar para longe o efeito das tais missas... Um abraço e muita Paz!

Teresa disse...

Ele teve o que mereceu! Então tem mulher e filho em casa e vai andar com pensamentos noutra? até a seguiu? ainda ficou triste e foi beber para esquecer a perda! coitado! se o poema continuasse, ele ainda diria que foi influenciado por espíritos, que não teve culpa.

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