1.11.12

Mercadores de gente...


Sou mercador, mercador
Viajo sem cessar
Rasgando ondas, oceanos
Para escravos comerciar.

Largo tudo na vida
Para o ouro buscar
Família, terra, conforto,
Para escravos comerciar.

Para Angola vamos
Com o peito a arfar
Pegando escravos
Escravos para comerciar.

Donos do destino
Pensamos na vida mandar
Desfazendo famílias
Para escravos comerciar.

Viagens sem fim
Ao Brasil fomos dar
Levando na bagagem
Escravos para comerciar.

A Portugal voltámos
Com ouro a tilintar
Esquecendo dores, soluços,
Dos escravos para comerciar.

Vivemos na opulência
Na vaidade sem parar
Esquecendo que a vida
Volta para nos cobrar.

Lutas reprimidas
Abandonos e dores
No mais Além
Fizeram teus terrores

Não se foge
Do que se faz
Seja padre, militar,
Comerciante ou capataz.

Nessa terra imortal
Somos desmascarados
Pelo bem ou pelo mal
Que nos deixa marcados

Voltámos do Além
Para em Angola reencarnar
Reparar o que faltava
Com os escravos para comerciar

Perder terra, bens
Começar outra vez
Experimentar na pele
O mal que se fez.

Assim aprendemos
Que somos iguais
Seja onde for
Somos sempre imortais

Mercadores de escravos
Voltam agora
Para salvar almas
Ajudar sua melhora.

Trocar o ouro pelo bem
É o seu ideal
Pôr em prática o Evangelho
Para reerguer Portugal

Povo intrépido e valoroso
Com chama e ideal
Não te apagues na apatia!
Não te afundes, Portugal!

Teu roteiro é velho
Mas muito actual
Difundir o Evangelho
Evangelizar Portugal.

E depois com essa luz
A outros estender
Para que aprendam o bem
E o bem possa crescer.

Os mercadores de gente
São gente afinal!
Mudaram de atitude
No Brasil e em Portugal.

Depois da amarga lição
Não querem outra igual
Têm compromisso com o bem
O bem é o seu ideal.

Bem-haja pela mudança
Algum dia tinha de ser
De mercadores de gente
A gente que quer crescer.

Esse é o ritmo da vida:
Devolve o que damos!
Semeamos e colhemos,
E a vida valorizamos.

Se mercador quiseres ser
Que o sejas de Amor
Pois comerciar gente
Só te trouxe horror.

E com essa lição
Aprendeste a fraternidade
Ninguém lesa impunemente
Na busca da felicidade.

Psicografia recebida por JC, nas Caldas da Rainha, Portugal

0 comentários:

Enviar um comentário