11.11.12

A prostituta...


Mariana aprisionou-se
Nas garras do prazer
Esquecendo-se que um dia
Seu corpo ia falecer

Presa nas emoções
Do lucro imediato
Entregou-se no quotidiano
Ao branco, preto, mulato

Esbelta e bonita
Clientes não faltavam
A todos satisfazia
E todos a adoravam

A musa do sexo
E de tanta fantasia
Era por outras cobiçada
Tirava-lhes a freguesia

Tanta inveja instilou
E da soberba vivia
Que um dia faleceu
Sufocando em pleno dia

Vítima da inveja
Sorvera fino veneno
Que lhe fora ofertado
Com’ um chá ameno

No mundo espiritual
Tudo era escuridão
Queria vingar-se
Mas tentava em vão

Desorientada na nova vida
Sofreu a escravidão
Dos que a acompanharam
Na alcofa da lassidão

Espíritos enlouquecidos
No sexo desregrado
Sugavam-lhe as energias
Do espírito mirrado

Após muito sofrer
Lembrou-se de Jesus
Orou com fervor
Até que viu uma luz

Mariana minha irmã
Tua prece foi ouvida
Jesus autorizou
Que fosses recolhida

Nascerás de novo
No teu bordel
Como filha de Joana
E como pai o Manuel

Aquela que te matou
Será agora tua genitora
Criando-te com o carinho
Que não teve outrora

Filha de prostituta
Terás outros horizontes
E com muita luta
Superarás tuas fontes

Se venceres na Vida
Tamanha provação
Quando voltares
Terás melhor reencarnação

E assim Mariana
Nasceu na Terra
Onde todos corrigimos
Aquilo em que erra

Utiliza o sexo
Com parcimónia
Pois ele não existe
Pr’a que sejas um estroina

Sexo e equilíbrio
São parceiros ideais
Para com equilíbrio saíres
Da Terra dos mortais…

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, no ENL, em Óbidos, Portugal, em 12SET2011

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