31.10.10

Suave transição....

Era Fevereiro, 27
Dor súbita apareceu
Fui de urgência
Para hospital plebeu

Tratado como mais um
Nem numeração tinha
Esperei horas a fio
Q' aparecesse uma "alminha"

Lá veio o médico
Com cara de cansado
Olhou para mim
Como quem olha pr'ó lado

Dores fortes, abomináveis,
Faziam-me alagado em suor
"Doutor, tenha dó,
Quero ficar melhor!"

A maca corria, corria,
Vá para onde for,
Entre a dor e a maca
Orava com fervor

Pouco mais me lembro
Após entrar nas urgências
Suave paz adveio
Em que perdia as referências

Dormi, dormi profundamente
Até que na enfermaria acordei
Estava tudo tão diferente
Que de alegria chorei

Estava vivo afinal
Não tinha morrido
Talvez fosse visitado
Por um ente querido

Quando assim pensava
Vi minha mãe entrar
Esfreguei bem os olhos:
"Devo estar a delirar"

Afinal ela está morta
E eu vivo estou
Como a ver assim?
A anestesia me abalou...

"Sejas bem-vindo, filhinho
Ao novo hospital
Estás agora entre amigos
Mas no mundo espiritual"

Fiquei confuso no momento
Com aquela realidade
Se a morte era má,
Porquê tanta felicidade?

O sorriso materno m'acalmou
"Tranquiliza-te filhinho,
Todos terminamos um dia
Na terra, o nosso caminho"

Foi assim a minha partida
Do mundo terreno
A pancreatite atrevida
Foi fatal veneno

Soube depois no Além
Que o bem que fizera
Fora luminoso passaporte
Para a nova esfera

Ter sido correcto, honesto,
Granjeou a simpatia
Dos bons espíritos, amigos
Dos colegas e da minha tia

Não se turve teu coração
Com este novo mundo
Aos poucos reaprenderás
Algo mais profundo

"Dorme agora, querido filho
Refaz tuas energias
Amanhã quando acordares
Verás as tuas tias"

"Oh, mãe querida
Mil vezes obrigado
Por me teres auxiliado
A passar p'ra este lado"

E sozinho, no suave leito,
Entrei em meditação,
Afinal a morte temida,
Fora suave transição !

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL por JC, em 23 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal, referente ao desenlace do espírito André Dias.

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