9.2.10

Xico Mendes... o galã


Xico Mendes vem de longe
Com estranha mania
Gostava de toda a mulher
Fosse Joana, Teresa ou Maria

Xico Mendes era D. Juan
Dentro do rico paletó
Apanhou a sífilis
E ficou que metia dó.

Saíu do corpo em desalento
Ah!, Xico Mendes, que sofrimento...!
Onde aquele corpo formoso?
Aquele corpo corpulento?

Era invejado pelas mulheres
Que lhe disputavam a malícia
Agora tornou-se em pó
E foge de si como da polícia.

Chora lágrimas amargas.
Porquê logo eu...
E não aquele fedorento,
O aleijado, o Peiroteu?

No mais Além encontrou-o
Em paz e cheio de luz
Mas tu? És o Peiroteu?
Aquele que deitava pus?

Sim, sou eu, meu irmão
O desgraçado, o repudiado
Também fui vilão
Noutra vida, no passado

Permitiu Deus que voltasse
Como um enjeitado
Para não cair na armadilha
De por todas ser amado.

Mas será que também eu
Terei de ser um Peiroteu?
Irei sofrer tanto assim?
Meu Deus! Que destino o meu!...

E apareceu um anjo de luz
Que o sossegou um momento
Descanse amigo, voltará em breve
Apenas com um ou outro tormento

Não será mais o belo
O admirável Xico Mendes
Voltará com aspecto normal
Que às mulheres parecerá banal.

Terá mulher e filhos
Vida digna e produtiva
E um dia se porfiar
Deixará de amargar.

O Xico Mendes voltou
Com corpo e nome diferente
Mas quando vê mulher bonita
Fica logo a dar ao dente.

Mas lá dentro no coração
Algo lhe diz para parar
É como se ele soubesse
Que só colhe o que semear.

A evolução é assim
No báratro da vida
Semeamos e colhemos
À nossa medida.

Xico Mendes aprendeu
Com a história do Peiroteu
Quem usa o próximo
Aleija o que é seu.

Sexo e sexualidade
Andam de braço dado
São caminho de perdição
Ou ensejo para corrigir o passado.

Não queiras ser Xico Mendes
Nesta reencarnação
Pois terás de rectificar
O abalroado coração.

Ser correcto é roteiro
É caminho para a felicidade
Faz da vida uma canção
Que te traga serenidade.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal

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