15.2.10

Velho rezingão...

Vociferava diariamente
O velho rezingão
Só ele sabia
Só ele tinha razão

Dono de terras
E fortuna pessoal
Julgava-se superior
Julgava-se mal

Pois um dia,
Dor ferina o atingiu
O peito dorido
E o coração faliu.

O velho rezingão
Entrou no Além
Onde encontrou
muito desdém! 

Ajudem, ajudem
Gritava o rezingão
Os outros gargalhavam
Ao som de palavrão

Aqueles odiados
Pelo rezingão
Pediam contas
Cobrando ao tostão

Clemência, clemência
Rogava o rezingão
Fugindo espavorido
Pelo espaço, em vão!

Maldita consciência
Que me faz lembrar
Os erros cometidos
Quando julgava mandar

Cansado, destruído
Com fervor, orou
O velho rezingão
De Deus se lembrou.

Oh, milgare
Será mesmo assim?
Dois anjos luminosos
Vestidos de cetim...

Vem, amigo
Chegou a tua hora
Vais voltar à Terra
Voltar sem demora

E assim o rezingão
Voltou a reencarnar
Com mediunidade ostensiva
Cedo a despontar

Chorava, gritava
Não conseguia dormir
Chegado aos dezasseis
Via os sonhos ruir.

Filho de gente humilde
Rezingão aprendeu
Que se aprende melhor
Quando se é plebeu.

Foi médium toda a vida
Ajudando quem podia
Fê-lo tão bem
Que a morte foi alegria.

Desencarnado novamente
Rezingão já não era.
Aquela reencarnação
Fora para ele primavera

Semear e colher
É lei natural
Se queres colher o bem
Nunca semeies o mal

Poeta alegre
Psicografia recebida, em Óbidos, Portugal, em 20 de Abril de 2009

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