7.2.10

Um mundo melhor...


Era um dia soalheiro, por sinal feriado. O telemóvel tocou. Quem seria, logo de manhã? Que chatice. Lá atendi o telefone. Do outro lado da linha estava uma voz enérgica e bem disposta. «A lenha que me encomendou posso levá-la hoje, apesar de ser feriado?»

Disse que sim e meia hora mais tarde lá descarregamos uma tonelada de lenha, qual formiga a preparar-se para o Inverno que teima em não vir.
Enquanto descarregávamos os toros de madeira íamos conversando e ia apreciando aquele homem forte, de meia-idade e com cara de quem está bem calejado pela vida. De roupa suja (típica do seu trabalho) e suor a cair em bica, mantinha um sorriso admirável, uma energia contagiante.
A meio da conversa dei por mim a filosofarmos em torno da ecologia. O meu desconhecido companheiro de conversa a quem encomendara uma tonelada de lenha, referiu-se à seca e dizia (com a característica típica de quem andou na universidade da vida e tirou as disciplinas do suor, do trabalho contínuo e mal remunerado): «Sabe? Isto está mau! Até os eucaliptos estão a secar! As pessoas não fazem ideia da gravidade da situação!!!»
Lá concordei com o meu interlocutor e daí passamos para a economia do país, da justiça social, finanças, enfim, naquela tendência bem típica do português de sobre tudo querer opinar e logo ali no momento apresentar soluções para todos os problemas nacionais.
Mas houve uma coisa que me tocou fundo. De repente, aquele homem forte, que fazia dois de mim, parou de atirar a lenha pela camioneta fora e com uma segurança perturbadora deixou escapar esta afirmação: «Sabe uma coisa Sr.? Não é justo haver gente que trabalha tanto e ganhe 80 e outros ganham 800 e até 8 mil. Isto tem de mudar um dia, não sei bem como, mas tem de mudar. Há muita injustiça…»
Eu, espírita, fiquei a meditar naquelas palavras simples, mas directas e sábias. 
Sem dúvida que o meu interlocutor tinha razão. Isto tem de mudar um dia.
De acordo com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), dizem-nos os bons espíritos que o planeta Terra está a passar neste milénio, de planeta de expiação e provas para planeta de regeneração, onde haverá mais sede de justiça social, onde o forte não oprimirá o fraco, antes pelo contrário apoiá-lo-á, onde a fraternidade dará lugar à guerra e à fome que campeiam pelo mundo fora.
Tal processo depurativo que os antigos atribuíam ser “o fim dos tempos”, acontecerá naturalmente, pela desencarnação (morte do corpo de carne) das pessoas e pela reencarnação de seres mais pacificados e que não sejam elementos perturbadores à sociedade, indo os seres menos evoluídos, rebeldes e belicosos, reencarnar em mundos mais de acordo com o seu estado de alma, ou mundos primitivos ou então ao nível do planeta Terra, actualmente.
A sede de justiça social é um anseio do homem imortal, que volta vida após vida, buscando aperfeiçoar-se intelectual e espiritualmente em busca da felicidade que um dia atingirá quando for espírito puro. 
Acabada de descarregar a tonelada de lenha, fomos cada um para o seu lugar, cada um com as suas ideias, mas com um ideal comum: o de uma maior justiça social.
É essa justiça social, a fraternidade, a solidariedade, que a Doutrina Espírita nos convida a encetar desde já, nesta vida, seja perdoando, seja fazendo ao próximo o que desejamos para nós, tendo uma postura ética perante a vida na certeza de que o nosso amanhã será mais ou menos feliz de acordo com a nossa postura mental, dentro da assertiva de Jesus de que «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória». 

Bibliografia:
«O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec ; http://www.adeportugal.org/

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