25.1.10

Pinochet morreu?


A notícia correu mundo: Augusto Pinochet, antigo ditador chileno, morrera no dia 10 de Dezembro de 2006, para gáudio de muitos e tristeza de outros. Ao lermos um dos jornais, não pudemos deixar de reparar num dos títulos: «O ditador que morreu sem prestar contas», facto este que se analisado à luz do espiritismo, não é bem assim! Ora veja.

Diz-nos a História recente que Pinochet foi um carrasco para o seu povo, matando e provocando sofrimento em quem não pensava como ele. O tempo acabou por revelar as suas fragilidades humanas, no entanto, conseguiu ludibriar a justiça humana, fugindo assim a um julgamento público e a uma possível prisão.
A maioria das pessoas revolta-se com tal facto, libertando ondas mentais de ódio para com esta pessoa, que assim ficou impune.
Ora, tal seria verdade se a vida terminasse com a morte do corpo de carne, mas, desde que Allan Kardec (o pesquisador que deu origem à doutrina espírita ou espiritismo) em meados do século XIX, comprovou a imortalidade da alma, tão apregoada pelas religiões tradicionais (factos estes corroborados por inúmeras pesquisas até aos dias de hoje por outros tantos cientistas), que teremos de reger a vida por esse novo paradigma: somos seres imortais, temporariamente num corpo de carne, onde temos uma oportunidade evolutiva durante certo tempo, até que regressemos de novo ao mundo dos espíritos, voltando mais tarde ao planeta Terra (reencarnação), e assim sucessivamente, até que um dia sejamos espíritos puros e não mais necessitemos de reencarnar neste ou em outros planetas.
Temos assim dois tipos de justiça: a dos homens e a de Deus.
Pinochet fugiu à justiça dos homens, mas não poderá nunca fugir à justiça de Deus que se patenteia na sua própria consciência, que agora, no mundo espiritual, não mais poderá escudar-se no seu posto de General, não mais poderá alegar insanidade mental, já que a sua consciência será qual ferida sangrante, recordando-lhe os gritos, os choros, os sofrimentos de todos aqueles a quem prejudicou, e que muitos deles, ainda no mundo espiritual, persegui-lo-ão em busca de ajuste de contas.
Pinochet, ser humano, eterno como todos nós, é pois mais digno de pena do que qualquer outro sentimento que possamos nutrir, imaginando os séculos de resgate que terá pela frente até que a sua consciência se sinta ilibada de todos os crimes cometidos. Quantas reencarnações dolorosas terá de enfrentar? Quantas doenças, limitações, dificuldades, sofrimentos, terá de encarar dentro da lei de causa e efeito que rege todo o Universo?
Sem dúvida que é caso para acuradas meditações, o facto de que nunca poderemos iludir a nossa consciência nem escudarmo-nos em falsos conceitos de poder, no mundo espiritual, onde cada um se desnudará de acordo com as atitudes tomadas neste mundo terreno. Os que tiveram vida digna e honesta estarão num ambiente vibratório de tranquilidade, compatível com o seu estado de alma, calmo e sereno, e aqueles que viveram prejudicando o próximo, herdarão de si próprios a intranquilidade, intrínseca às pessoas que não estão em paz consigo próprias, fruto dos desatinos cometidos na Terra.
Assim sendo, o ditador não morreu sem prestar contas, como referia uma jornalista portuguesa, mas, isso sim, mudou de plano existencial, forçado pelas circunstâncias de um corpo doente, continuando a viver no mais além, desconhecendo nós quantas dezenas ou até centenas de anos demorará o julgamento dentro de si próprio, colhendo o sofrimento gerado nos compatriotas torturados e mortos.
«A cada de acordo com as suas obras», já nos advertira Jesus de Nazaré, deixando-nos uma ética e uma moral que são o único caminho para a nossa felicidade.
Que possamos todos nós, tirar fundas ilações deste ser, que mais do que ser odiado é digno de compaixão, na certeza de que sendo imortais, o nosso amanhã será mais radioso e feliz de acordo com as nossas atitudes de agora.
É, pois, tempo de semeadura… no bem!

Bibliografia:
Kardec, Allan - “O Livro dos Espíritos”
ADEP – Curso Básico de Espiritismo, http://www.adeportugal.org/

0 comentários:

Enviar um comentário