2.12.09

Resgate em Angola



Em Angola nasci
No meio da pobreza
Procurando rectificar
Erros da Nobreza

Dificuldades, mais dificuldades
Fome, frio e dor
Assim eram os meus dias
Na vida d’um sofredor

Um dia na “Machamba”
Pisei uma mina
Fiquei sem a perna
E a outra mais pequenina

Chorei sem saber porquê
Sem raiva, sem rancor
Chorava de tanta solidão
Tanta falta de Amor

Um dia acordei
Sem qualquer dor
Alguém me sorria
Um sorriso de Amor

Tudo era diferente
Mais calmo, mais feliz
E eu, o velho perneta
Sentia-me um petiz

Soube que tinha morrido
Com gangrena na perna
E que afinal estava vivo
Porque a vida era eterna

Porque tanta dificuldade
Tive naquela vida?
Porque Deus me deu
A existência tão sofrida?

D. Chica sorridente
Explicou a situação
Tinha sofrido muito
P’ra reparar minh ‘ambição

Noutra vida
Fora nobre explorador
Enriquecera muito
À custa da alheia dor

Comerciara escravos
E famílias separara
E quando era preciso
Até os torturara

Após a morte
A consciência ardia
Não conseguia ter paz
Ao ouvir a gritaria

De dor
Que provocara
Com o chicote
Que muitos matara

Deus na sua bondade
Um Anjo mandou
Era minha mãe
Que ao regaço m’aconchegou

Chorámos em conjunto
Lembrando o passado
De feliz em pequeno
A terrível e odiado

Vamos orar, meu filho
A Deus pedir solução
E Deus respondeu:
“Terás nova reencarnação…”

E assim nasci
Na Angola martirizada
Colhendo no corpo
O que plantara em vida passada…

Poeta alegre
Psicografia recebida em Óbidos, Portugal, a 20 de Julho de 2008

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