8.12.09

A política e o espiritismo


É muito comum encontrarmos uma ideia pré-estabelecida entre os espíritas, a ideia de que estão muito bem se distanciados da política que se faz um pouco por todo o mundo.

A razão parece ser simples, a de uma certa incompatibilidade entre a vivência dos postulados espíritas, dentro da moral que Jesus de Nazaré deixou, e a prática política corrente.
Embora saibamos que existem políticos honestos, é inegável hoje em dia a má imagem que as classes políticas têm um pouco por todo o mundo, onde a imagem do egoísmo, do compadrio, da corrupção se vai generalizando, criando uma certa aversão para com esta classe de dirigentes.
O espírita, sendo um ser social, não pode abstrair-se dessa realidade, não devendo portanto ignorá-la como se ela não existisse.
O espírita sincero, convicto, que procura no seu quotidiano viver em consonância com os seus ideais, deve procurar dar o seu contributo à sociedade, sendo interventivo, colaborando, procurando auxiliar para que a organização social melhor, e a qualidade de vida das pessoas aumente.
Assim, o espírita não pode nem deve demitir-se da sua intervenção política na sociedade. Deve, isso sim, dar o exemplo de honestidade, não pactuando com compadrios, desonestidades, procurando servir, sempre, cada vez mais, a população que o elegeu, que em si acreditou.
São graves as consequências espirituais daqueles que abusam do seu poder para o utilizarem benefício próprio, ao invés de o colocar ao serviço do povo. Geralmente são pessoas que se comprometeram antes da reencarnação com tal tarefa, muitos deles, procurando rectificar erros antigos, de vidas passadas, onde o egoísmo suplantou o espírito de serviço à comunidade.
Voltam pois cheios de projectos pessoais, interiores, de melhoria moral, de vontade de auxiliar a comunidade e quando mergulhados no corpo de carne, pelo processo da reencarnação, rapidamente esquecem os seus propósitos mais nobres, para enveredarem em roteiros materialistas, nada consentâneos com o espírito que preside ao dever do poder político.
Lembrando Jesus de Nazaré, «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória» e perante este axioma que se aplica a todos nós, questionamo-nos sobre como se encontrarão no mundo espiritual aqueles que usaram e abusaram do poder político apenas para alimentarem os seus caprichos pessoais.
Sabemos que a evolução é lenta e que o Espírito se vai burilando passo a passo, vida após vida, mas não deixa de se interessante o estudo de «O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec como uma autêntica pérola para a humanidade e que pode muito bem ser a referência moral para um comportamento mais ético, mais nobre, no trabalho em prol da comunidade.
O espírita tem assim duplo trabalho, quando se enquadra nos meandros políticos, o trabalho de ser coerente com os seus ideais, dando o exemplo de espírito de serviço, de honestidade, e o trabalho de não se deixar corromper pelos apelos do êxito fácil e a qualquer preço.
Demitirmo-nos das nossas responsabilidades perante a comunidade não é certamente o caminho certo.
Bezerra de Menezes (na fotografia), médico, espírita, deputado brasileiro, foi o exemplo de como deve ser o espírita na sociedade. Foi representante político, mas nunca se deixou inebriar pelo perfume do êxito fácil. Continuou no seu quotidiano auxiliando os mais desfavorecidos, consultando-os gratuitamente quando não podiam pagar os seus serviços de médico, pagando ele próprio do seu bolso, inúmeras vezes, os medicamentos que receitava aos mais desfavorecidos, que viam nele, o homem, o político, o irmão na sociedade.

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