2.12.09

O Espírita desatento...



Xico Mota fez-se espírita
Após penosa doença
No espiritismo teve a cura
Que lhe aguçou a crença.

Católico de nascença
Kardec estudou
Mas não pôs em prática
O que leu, escutou.

Feliz, entusiasmado
Doutrinava, palestrava
Convencia gente nova
Mas… não mudava!!!

Xico Mota era visto
Como exemplo a seguir
Mas no dia-a-dia
Dava dó o seu agir.

Encantava quem o ouvia
Falar do Evangelho
Mas Xico Mota esquecia
Que estava mais velho.

Os anos foram passando
Nessa rotina habitual
Mas lá no íntimo
Xico Mota agia mal.

Dizia uma coisa
Outra obrava
Pondo em causa
A causa que abraçava.

Xico Mota desencarnou
De maneira repentina
O coração parou
E rompeu-se a “cortina”.

No mais Além deparou
Com escuridão e mal-estar
Mas, onde a luz, os guias
Que anos a fio ouviu falar?

Xico Mota lembrou-se
Que esquecera o essencial
De mudar por dentro
De tentar ser melhor.

Entrou no mais Além
Qual vendedor de feira
Muito falara, mas…
Vazia ia a “bagageira”.

A bagagem espiritual
É o que deve interessar
Modificar o negativo
E o bem amplificar.

Xico Mota compreendeu
Após anos de perturbação
Que o epíteto de espírita
Não dava a “salvação”.

Chorou amargamente
O tempo perdido
Pouco evoluíra
Pelo ego “engolido”.

Estai atentos espíritas
Pois a vida é breve
Ser Xico Mota ou não
Só a ti se deve.

Fazer ao próximo
O que para ti desejas
É o roteiro a seguir 
Para atingires o que almejas.

O Evangelho de Jesus
Não é uma ilusão
É trabalho diário
Que dá paz ao coração.

Tempo perdido na vida
É tua opção
Fazeres o que pregas
Ou ficares na inacção.

Xico Mota “morreu”
Como espírita desatento
Que possas partir melhor
Sem lhe seguir o exemplo.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Óbidos, Portugal, a 11 de Setembro de 2005

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