8.12.09

Espiritismo não é charlatanismo



Semanalmente folheamos os jornais locais procurando saber um pouco daquilo que se passa na nossa cidade ou região.
Qual não é o nosso espanto quando vimos nos dois jornais da cidade, um anúncio publicitário, com destaque na página 3, que logo nos chamou a atenção. Tratava-se de um pretenso “Centro Espírita Quinta de Santo” onde aparecia uma fotografia de um jovem cheio de artefactos, com vestes especiais e prometendo resolver todos os problemas e mais alguns. Várias pessoas nos manifestaram a sua indignação pelo facto de hoje em dia qualquer pessoa poder atentar contra a dignidade de outra, num jornal, com um simples anúncio. Obviamente, que os “media” também são responsáveis, pois que dentro dos conhecimentos de cultura geral que têm não deveriam, em nossa opinião, publicitar tudo aquilo que objectivasse enganar os incautos. Mas, por vezes, a óptica comercial sai vencedora, o que até certo ponto é compreensível, cabendo aos espíritas informar sobre o que é realmente o Espiritismo.
Hoje em dia as associações espíritas estão cheias de pessoas que buscam o conhecimento espírita, buscam conhecer-se um pouco melhor, pessoas essas com as mais variadas profissões, cultura e instrução. De realçar que uma das profissões que mais procura um centro espírita em busca de informação são por exemplo professores, quer do ensino secundário quer superior. Médicos, engenheiros, pedreiros, militares, donas de casa, etc., fazem parte de um conjunto de pessoas sérias, honestas, que são espíritas e que nada têm a ver com este tipo de anúncios.
O Espiritismo (ou Doutrina Espírita) é uma ciência filosófica de consequências morais. Como ciência experimental ela observou e observa os factos espíritas, como filosofia explica-os, tirando daí ilações morais para a vida do homem. Não sendo mais uma religião nem seita, o Espiritismo leva o homem a uma maior espiritualização, aproximando-o assim de Deus.
Um verdadeiro centro espírita não coloca anúncios em jornais prometendo a cura de tudo e a todos.

Os espíritas não fazem nem podem fazer do espiritismo a sua profissão.

Uma associação espírita é pois um conjunto de pessoas, que por carolice, alugam um espaço, quotizando-se entre todos, com manifesto prejuízo financeiro a título pessoal, mas que o fazem por amor à camisola, por gostam do Espiritismo e têm uma vontade enorme de o estudar, divulgar e praticar. Tem outra razão de ser a existência de um centro espírita: poder ajudar pessoas que têm problemas de ordem espiritual (problemas esses hoje reconhecidos por muitos psiquiatras) que a medicina convencional não consegue debelar, já que só objectiva tratar o corpo de carne.
Um verdadeiro centro espírita não cobra dinheiro pelos seus serviços nem aceita dinheiro em troco dos serviços prestados. Um verdadeiro centro espírita não coloca anúncios em jornais prometendo a cura de tudo e a todos. Os espíritas não fazem nem podem fazer do espiritismo a sua profissão. Todos os espíritas têm os seus trabalhos e apenas nas horas vagas se dedicam à prática do espiritismo, com completo desinteresse e numa perspectiva filantrópica, humanista e fraterna.
O Espiritismo está na linha da frente, denunciando aqueles que se aproveitam do bom-nome do espiritismo para enganar incautos, pessoas com problemas graves, que por vezes, em desespero de causa recorrem a tudo e a todos.
Nesse sentido, a Doutrina Espírita nada tem a ver com o charlatanismo, com médiuns comerciantes que cobram pelas suas “consultas”, com magias, bruxarias, crendices, etc., já que a Doutrina Espírita tem a ver com cultura, assentando na ética que Jesus de Nazaré nos deixou, que manda fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem, apontando o Amor e a fraternidade como caminhos únicos a percorrer se quisermos ser mais felizes.

Bibliografia:
“O Que é o Espiritismo”;
“O Livro dos Espíritos”;
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”;
“O Livro dos Médiuns”;
“A Génese”;
“O Céu e o Inferno” (todos da autoria de Allan Kardec)

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