16.11.09

Aparições no momento da morte (VI) - conclusão


Terminamos hoje uma série de seis artigos sobre aparições no leito de morte, com exemplo de aparições de defunto produzidas pouco depois de um caso de morte, e percebidas na mesma casa em que jaze o cadáver.

Embora estes factos sejam dos mais raros, não podemos deixar de os referir nesta série de artigos, casos estes retirados do livro «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte» do famoso investigador italiano Ernesto Bozzano. O seguinte caso foi retirado do volume V, pag. 422, dos «Proceedings of the S.P.R.»:
«Agosto , 1886. No sábado, 24 de Outubro de 1868, despedimo-nos dos nosso amigos (os marqueses de Lyns) - com os quais permanecêramos em Malvern Well -, para irmos a Cheltenham, residência de um cunhado do meu marido, Georges Copeland.
Desde algum tempo, já este estava doente, em consequência de um ataque de paralisia, que o havia reduzido à imobilidade, ficando, no entanto, perfeitamente sãs as suas faculdades mentais.
Esta última circunstância fazia que os seus amigos ficassem perto do doente, a fim de adoçar-lhe a desventura, tanto quanto possível. Aproveitando a pouca distância que nos separava, resolvemos, por nossa vez, fazer outro tanto. Fomos, porém, informados de que o doente já tinha outras pessoas em sua casa; decidimos, então, ir para Cheltenham, sem o prevenir, a fim de alugar um apartamento, antes que ele no-lo impedisse de fazer, por um convite. Tomamos vários quartos situados na vizinhança da habitação de Copeland.

Na agonia da morte, muitos familiares e amigos
vêm ajudar-nos a desembaraçarmo-nos
dos laços que nos ligam ao corpo físico

Feito isto, estávamos prontos para nos ausentar do hotel, quando muitos frascos de remédios, dispostos numa mesa, atraíram o nosso olhar. Perguntámos se havia doentes na casa e informaram-nos que certa senhora R...., hóspede no hotel com a sua filha, estava doente desde algum tempo; era coisa de pouca importância e não havia perigo. Depois dessa ocasião não pensámos mais no assunto. Logo após fomos à casa de Copeland, e no correr da tarde, veio a pronunciar-se o nome dos nossos vizinhos de hotel. Copeland disse, então, que conhecia a Sra. R....; explicou que era viúva de um doutor, ex-clínico em Cheltenham, e que uma das suas filhas se casara com um professor de colégio, um certo Sr. V... Lembrei-me então de Ter conhecido a Sra. V... por ocasião de uma recepção em casa do Dr. Barry e Ter nela feito reparo por causa da sua grande beleza, enquanto ela conversava com a dona da casa. Era tudo o que eu sabia a respeito dessas senhoras.
Na manhã de Domingo, à hora do almoço, observei que o meu marido parecia preocupado. Terminado que foi o repasto, perguntou-me ele:
- Ouviste arrastar uma cadeira há pouco? A velha que mora em baixo morreu na própria cadeira, esta noite; arrastaram esse móvel, trouxeram-na para o quarto.
Fiquei muito impressionada; era a primeira vez que me encontrava nas proximidades de um cadáver; desejei, pois, mudar sem demora, de apartamento. Muitos dos nosso amigos, sabendo do facto, tinham-nos gentilmente oferecido hospitalidade; mas o meu marido, opusera-se, lembrando que uma mudança é sempre um aborrecimento, que meus terrores eram tolos, que ele não achava nenhum prazer em deslocar-se num dia de Domingo, que não era generoso partir porque uma pessoa havia morrido e que, enfim, se assim procedessem para connosco, não nos deixaríamos de aborrecer. Em suma, tivemos de ficar.
Passei o dia na companhia do cunhado e das sobrinhas e só voltamos ao hotel à hora de ir para a cama. Depois de haver adormecido, acordei de repente, como de hábito, alta noite, sem causa aparente e vi distintamente, ao pé da cama, um velho fidalgo, de rosto gordo, rosado e sorridente, com um chapéu na mão.
Estava vestido com um casaco azul-celeste, de talhe antigo, guarnecido de botões de metal; tinha um colete claro e calças da mesma cor.

Visões e descrições da presença de falecidos
junto dos moribundos, são evidências que, muitas vezes,
não podem ser explicadas de outro modo

Quanto mais o encarava, melhor lhe discernia os menores detalhes do rosto e das vestes. Não me senti muito impressionada; depois de algum tempo ensaiei fechar os olhos durante um ou dois minutos; quando os reabri, o velho fidalgo tinha desaparecido.
Dormi algum tempo depois. Vindo a manhã, propus-me nada dizer a ninguém, do que me tinha acontecido, até que tivesse visto uma das minhas sobrinhas, à qual queria expor o facto, a fim de saber se, por acaso, não haveria nenhuma semelhança entre o Dr. R... e o fidalgo da minha visão. Apesar de me parecer absurda esta ideia, queria certificar-me. Encontrei minha sobrinha, Maria Copeland (hoje senhora Brandling), de volta da igreja, e logo lhe perguntei:
- O Dr. R... não tinha o aspecto de velho fidalgo, de rosto cheio, rosado e sorridente, etc., etc.?...
Ela estremeceu de espanto.
-Quem to disse? - perguntou. - Nós dizíamos, de facto, que ele se assemelhava mais a um bom feitor de fazenda do que a um doutor. Como é estranho que um homem de aspecto tão vulgar tivesse por filha tão bela criatura!
Tal é a narrativa rigorosamente exacta do que me aconteceu. As minhas duas sobrinhas estão ainda vivas e devem lembrar-se exactamente de tudo isso. Naturalmente, não estou em condições de explicar o facto. O corpo da velha senhora jazia no quarto que ficava imediatamente abaixo do nosso. O que me surpreende, sobretudo, é que eu tivesse ficado tão pouco impressionada e que pudesse dormir alguns instantes depois, sem incomodar ninguém. (Assinado: D. Bacchus).»
O marido da Sra. Bacchus confirma o acontecimento:
«Leamington, 27 de Setembro de 1886 - Li a narração da minha mulher a respeito do que sucedeu em Cheltenham, quando nós aí estivemos em 1868. Ela corresponde exactamente ao que a minha mulher contou de viva voz, na manhã que se seguiu ao facto, de que perfeitamente me recordo. Também me lembro que nessa manhã mesma, ela contou todos os detalhes do acontecimento à sua sobrinha. (Assinado: Henry Bacchus).»
De realçar que a declaração da precipiente não ter nunca conhecido e não ter tido nunca a ideia do aspecto do defunto Dr. R..., admitindo-se assim a realidade objectiva da aparição, afastando a hipótese de um fenómeno de auto-sugestão alucinatória, provocado na Sra. Bacchus, pelo pensamento desagradável de ter perto de si o cadáver da Senhora R...»

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